16 - A fundação de um novo Estado

Um acordo não-escrito entre os líderes cristão e muçulmano de maior proeminência lançou as bases para o novo Estado Libanês. Este acordo, mais tarde conhecido como "Pacto Nacional" ( al Mithaq al Watani) estabelecia quatro princípios: 1) as comunidades cristãs não deveriam manter a identificação com o Ocidente. Por outro lado, as comunidades muçulmanas deveriam proteger a independência do Líbano e evitar sua união com outros Estados Árabes; 2) mesmo sendo o Líbano membro da Liga dos Estados Árabes, tendo o árabe como língua oficial, ele não poderia cortar seus laços espirituais e intelectuais com o Ocidente, de grande importância para a conquista do notável desenvolvimento libanês; 3) o Líbano, como membro da citada Liga, deveria cooperar com outros Estados árabes e, em caso de conflito entre estes, deveria permanecer neutro; 4) os cargos públicos deveriam ser divididos proporcionalmente entre os diversos grupos religiosos.

Entre 1943 e 1952 o Líbano foi governado por Bechara El-Khoury, criticado por sua má administração. Em 1949, como conseqüência da guerra árabe-israelense que se seguiu à proclamação do Estado de Israel, o Líbano abriu suas fronteiras para um grande número de palestinos. Esta decisão teria conseqüências decisivas no futuro, uma vez que desequilibrava o delicado equilíbrio entre os dois principais grupos religiosos - cristãos e muçulmanos. O governo de Elkhoury perdeu credibilidade, o que forçou sua demissão.

Assumiu em seguida o presidente Camille Chamoun, líder de oposição. Durante seu governo a economia libanesa foi favorecida pela situação instável na região. Os investimentos externos aumentaram e o Líbano conheceu um período de grande prosperidade. No plano político, no entanto, a situação tornava-se mais complexa. O discurso pan-arabista adquiria cada vez mais força. Em 1958, Egito e Síria se uniram com o objetivo de formar a República Árabe Unida, o que aumentou a pressão externa e interna para que o Líbano fosse o terceiro membro desta República. O acirramento das posições levou à eclosão de uma revolução interna no Líbano. Forças sunitas e druzas pró-arabistas tentaram tomar o governo. O conflito só teve fim após a intervenção de forças norte-americanas.

Em 1969, as divergências entre cristãos e muçulmanos voltam a se acirrar. A OLP - Organização pela Libertação da Palestina -, com uma importante célula no Líbano, começa a promover uma guerrilha contra Israel, em decorrência da Guerra dos Seis Dias, entre este país e o Egito. Israel, em represália, ataca o sul do Líbano, base da OLP neste país. A presença constante de palestinos armados fomenta a divisão entre os dois grupos religiosos. O aumento das tensões leva à formulação secreta do "Acordo do Cairo" entre o Líbano e os palestinos, que concedia amplas liberdades a estes. Como conseqüência, a OLP no Líbano foi fortalecida e acabou por transformar-se em "um Estado dentro do Estado" (EDDÉ, 2001, 259).


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