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- A fundação de um novo Estado
Um acordo não-escrito entre os líderes
cristão e muçulmano de maior proeminência
lançou as bases para o novo Estado Libanês.
Este acordo, mais tarde conhecido como "Pacto
Nacional" ( al Mithaq al Watani) estabelecia
quatro princípios: 1) as comunidades cristãs
não deveriam manter a identificação
com o Ocidente. Por outro lado, as comunidades muçulmanas
deveriam proteger a independência do Líbano
e evitar sua união com outros Estados Árabes;
2) mesmo sendo o Líbano membro da Liga dos
Estados Árabes, tendo o árabe como língua
oficial, ele não poderia cortar seus laços
espirituais e intelectuais com o Ocidente, de grande
importância para a conquista do notável
desenvolvimento libanês; 3) o Líbano,
como membro da citada Liga, deveria cooperar com outros
Estados árabes e, em caso de conflito entre
estes, deveria permanecer neutro; 4) os cargos públicos
deveriam ser divididos proporcionalmente entre os
diversos grupos religiosos.
Entre 1943 e 1952 o Líbano foi governado por
Bechara El-Khoury, criticado por sua má administração.
Em 1949, como conseqüência da guerra árabe-israelense
que se seguiu à proclamação do
Estado de Israel, o Líbano abriu suas fronteiras
para um grande número de palestinos. Esta decisão
teria conseqüências decisivas no futuro,
uma vez que desequilibrava o delicado equilíbrio
entre os dois principais grupos religiosos - cristãos
e muçulmanos. O governo de Elkhoury perdeu
credibilidade, o que forçou sua demissão.
Assumiu em seguida o presidente Camille Chamoun,
líder de oposição. Durante seu
governo a economia libanesa foi favorecida pela situação
instável na região. Os investimentos
externos aumentaram e o Líbano conheceu um
período de grande prosperidade. No plano político,
no entanto, a situação tornava-se mais
complexa. O discurso pan-arabista adquiria cada vez
mais força. Em 1958, Egito e Síria se
uniram com o objetivo de formar a República
Árabe Unida, o que aumentou a pressão
externa e interna para que o Líbano fosse o
terceiro membro desta República. O acirramento
das posições levou à eclosão
de uma revolução interna no Líbano.
Forças sunitas e druzas pró-arabistas
tentaram tomar o governo. O conflito só teve
fim após a intervenção de forças
norte-americanas.
Em 1969, as divergências entre cristãos
e muçulmanos voltam a se acirrar. A OLP - Organização
pela Libertação da Palestina -, com
uma importante célula no Líbano, começa
a promover uma guerrilha contra Israel, em decorrência
da Guerra dos Seis Dias, entre este país e
o Egito. Israel, em represália, ataca o sul
do Líbano, base da OLP neste país. A
presença constante de palestinos armados fomenta
a divisão entre os dois grupos religiosos.
O aumento das tensões leva à formulação
secreta do "Acordo do Cairo" entre o Líbano
e os palestinos, que concedia amplas liberdades a
estes. Como conseqüência, a OLP no Líbano
foi fortalecida e acabou por transformar-se em "um
Estado dentro do Estado" (EDDÉ, 2001,
259).
  
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