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O número de libaneses que saíram do Líbano e emigraram para o Brasil é estimado em 7 milhões. A falha documentação, no entanto, dificulta a definição da data de início da entrada destes imigrantes. Segundo Tanus Jorge Bastani, fundador e 1º presidente da União Nacional dos Advogados, entidade precursora da Ordem dos Advogados do Brasil, estudioso da presença libanesa no Brasil, já no início do século XIX os libaneses teriam começado a se integrar à pátria brasileira.
Em seu livro "O Líbano e os libaneses no Brasil", Bastani relata que quando Dom João veio para o Brasil em 1808, não encontrando "solar digno de sua pessoa", passou a residir na quinta de Antun Elias Lubos, libanês que, após sua vinda para o Brasil, adotou o nome de Elias Antônio Lopes. A casa teria então se transformado em definitivo na Casa Imperial Brasileira, hoje Museu Nacional. Este fato é relatado também no livro "Brasil, 500 anos de povoamento", editado pelo IBGE, de autoria de Maria Lúcia Mott.
Talvez por ter nascido em mansão construída por um libanês, Dom Pedro II tinha grande empatia por este povo. Visitou o país dos Cedros em duas ocasiões, em 1871 e 1876, quando convidou os jovens a emigrarem para o Brasil, a "Terra da Promissão". Aqueles que aceitaram o desafio eram, em sua grande maioria, cristãos que sofriam com a dominação otomana e com a crise econômica da época.
A fácil integração desses imigrantes no Brasil foi, e tem sido, de grande valia para a nação brasileira. É importante ressaltar a índole anti-discriminatória dos libaneses, que levou-os a constituir família a partir da união com índias, negras e descendentes de europeus. Isso, a par da tradução de seus nomes árabes para o vernáculo ou a adoção de nomes e sobrenomes de famílias ilustres, levou, com o passar do tempo, à diluição de suas identidades originais. Muitos dos Ferreira, Salles, Souza, Lage, Ananias, Alcântara, Pedreira, Lopes, Teixeira, Araújo, Amado tem sua origem no Líbano.
A integração do imigrante não se limitou à sua adaptação aos costumes e ao estabelecimento de laços familiares. Desde o primeiro momento, e por força de seu espírito de liderança, o imigrante teve de assumir responsabilidade de comando no espaço regional. Muitos se notabilizaram como chefes políticos, transformando-se nos chamados "coronéis". E isso no âmbito de todas as unidades federativas do Brasil.
Nos dias atuais, podemos identificar descendentes de libaneses, ocupando cargos políticos em níveis federal, estadual e municipal. Cerca de dez por cento dos membros do Congresso Nacional são filhos de libaneses; entre eles destaca-se, a justo título, o senador da República Pedro Simon, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro de Estado da Agricultura. Filho de libaneses também é o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, bem como o representante do Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia, o jurista e ex-ministro de Estado das Relações Exteriores, José Francisco Rezek. Os Estados do Pará, Ceará e Santa Catarina são governados respectivamente pelos seguintes filhos de libaneses: Almir Gabriel, Tasso Jereissati e Esperidião Amim Helou. O número de deputados estaduais, prefeitos e vereadores também é bastante considerável.
Conhecidos como bons comerciantes, os libaneses conseguiram amealhar muitos bens, investindo na industrialização e distribuição de seus produtos. Capitães da indústria e grandes comerciantes tiveram suas fortunas, quase todas, iniciadas na lida da mascateação. O trabalho sacrificante do mascate não tardaria a valorizar-se em razão dos bons serviços prestados à comunidade e à flexibilidade de seu relacionamento comercial. A atitude de correção do imigrante pesou muito na transformação de uma imagem de "turco" ignorante voltado exclusivamente para o lucro para a imagem de libanês trabalhador, inteligente e amigo, procedente de uma terra de cultura milenar.
Os mascates libaneses, ainda que fossem, em sua maioria, de pouca escolaridade, eram depositários de um acervo cultural considerável. Trouxeram consigo a história, a poesia, a religião, a música, o canto, a tapeçaria, a arqueologia, a arte culinária, enfim, a cultura milenar libanesa. No Brasil, a cultura do Líbano foi amplamente divulgada por meio da erudição e dedicação do escritor líbano-brasileiro Mansour Challita, tradutor da obra completa do libanês Gibran Khalil Gibran, um dos maiores pensadores, poetas, escritores e pintores do século XX.
Os imigrantes libaneses pioneiros e seus descendentes vêm percorrendo uma longa caminhada nestes últimos duzentos anos, engrandecendo a pátria brasileira. As palavras do professor Aloísio Pimenta, ex-ministro de Estado da Cultura, exprimem o reconhecimento à contribuição que este povo trouxe ao Brasil:
"Os imigrantes turcos que identifiquei mais tarde como libaneses e com quem convivi desde a infância transmitiram a nós brasileiros o exemplo vivo da primazia dos valores familiares; da importância da educação dos filhos; do trabalho honrado e incansável e da absoluta fidelidade à nova Pátria."
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