O Líbano em Linhas Gerais

Situado na costa leste do Mar Mediterrâneo e fazendo fronteira, ao sul com Israel e a leste e norte com a Síria, o Líbano é um país conhecido pelas extensas contribuições ao desenvolvimento da humanidade. Caracterizado fisicamente pelo litoral e pelas montanhas, o país tem como principal símbolo o cedro, bela árvore nativa cujo significado relaciona-se intimamente com a idéia de eternidade. O cedro está estampado no centro da bandeira nacional.

Tendo como capital a cidade de Beirute, o Líbano é um país relativamente pequeno, porém, tem uma história que remonta a vários milênios; sinais de existência humana no local onde hoje se encontra o país datam de, aproximadamente, onze mil anos. Seus primeiros habitantes conhecidos foram os Fenícios, nomenclatura a eles atribuída pelos Gregos. Os Fenícios foram os inventores do alfabeto fonético, uma das maiores e mais importantes invenções humanas, mas seus feitos não se resumiram, de forma alguma, a isso. Os Fenícios desenvolveram de forma excepcional a navegação, estabelecendo diversas colônias ao longo de todo litoral do Mar Mediterrâneo. Por conseqüência, chegaram ao Oceano Atlântico e contornaram o continente africano. O povo fenício, que habitava o local que hoje é o Líbano e uma porção do que hoje é o norte do Estado de Israel, é a primeira referência identitária libanesa.

Depois dos Fenícios, vários outros povos chegaram a habitar ou mesmo a conquistar a região, incluindo os Egípcios, os Assírios, os Persas, os Gregos, os Bizantinos e os Árabes, entre outros. Mesmo que o país tenha sofrido extensa influência cultural após a conquista árabe, ele ainda conserva uma pluralidade étnico-religiosa observada em pouquíssimos países. No Líbano, o pluralismo constitui a própria nação, constantemente denominada como uma "associação de minorias". Assim sendo, a identidade libanesa não pode ser contemplada de forma apropriada a não ser que se leve em consideração a pluralidade e a diversidade.

Não é de se espantar, pois, que a história do Líbano seja repleta de convulsões políticas e ideológicas. Ao objetivo de constituir uma nação livre e plural, somam-se diversas dificuldades advindas desse mesmo objetivo, cujo principal inimigo responde pelo nome de intolerância. Os discursos totalitários que argumentam em favor de uma identidade étnica ou religiosa isolada que não seja a libanesa continuam a representar empecilhos graves à constituição de um país plenamente democrático e soberano.

Não há dúvidas que o país foi e ainda é relacionado, infelizmente, a uma longa e dolorosa guerra civil que se iniciou na segunda metade da década de 70 e que se estendeu por 15 anos. Desde então, o Líbano não recobrou integralmente a soberania interna e continua sendo alvo de políticas nefastas por parte de governos de países próximos com vistas a uma alteração demográfica que favoreça uma orientação ideológica específica.

A situação atual do Líbano é desconfortável. O país tenta restabelecer o exercício pleno de sua soberania e luta para manter sua identidade cultural. Efetivamente, o Líbano depende de esforços no âmbito da política internacional e do apoio de diversos governos. No âmbito interno, é necessário que o Líbano passe por uma extensa e cautelosa reforma política, capaz de reduzir o grau de corrupção e de garantir o processo democrático, o exercício das liberdades e a observância da declaração Universal dos Direitos Humanos, o que, mais uma vez, depende da auto-determinação do povo libanês.

 

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